UM ARTISTA PRECISA ESTAR SEMPRE PRONTO PARA RENOVAR SUA LINGUAGEM

Atualmente Jiddu Saldanha oferece oficinas de: Artes da Mímica e Teatro Físico, Contação de História, Direção Teatral, trabalhos com Cinema Digital além de shows, performances e espetáculos. CONSULTE-NOS www.jiddusaldanha.com

OBRIGADO POR ME PRESTIGIAR!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O Brasil olhando pela Mímica!

O Brasil que tem fama de ser a grande potência da América Latina sempre engatinhou no que diz respeito a festivais de mímica. Dificuldade de conseguir apoio da classe empresarial e do poder público, a palavra mímica foi "proibida" quando se tratava de enquadrar um projeto nos órgão burocráticos do país. Os melhores mímicos brasileiros, para "vender seu peixe" tiveram de camuflar seu trabalho usando o termo TEATRO e jamais usando a "famigerada" palavra PANTOMIMA, quando muito a palavra MÍMICA e TEATRO FÍSICO serviam como porta de entrada, nem que fosse pelos fundos!
Mas os ventos estão mudando. Em Brasília, surge um festival assumidamente de mímica, com característica internacional e, o que é melhor, dando provas de seu amadurecimento, incluído na lista dos convidados, a PANTOMIMA. O estilo de mímica "pantomímico" ficou marginalizado e foi ignorado pelos estudiosos, mais do que isso, em todos os "discursos" dos melhores pensadores desta arte no Brasil, a pantomima aparecia como vilã e não falta repertório para destruir o trabalho de dramaturgia gestual. Já ouvi termos como "arte menor", "imitação barata", "tradicionalismo", como se, ser tradicional fosse ruim. E por aí a fora...
Mas o Brasil, como era de se esperar, está crescendo também no universo da mímica e as pessoas estão percebendo que o importante é se expressar com diginidade, ética, amor e até humor em alguns casos! E é neste estado de felicidade que eu, Jiddu Saldanha, recebo meu primeiro convite para participar de um grande festival de mímica, a arte que pratico ha 22 anos, apesar da dor no joelho! Estou feliz, lá sei que vou encontrar meus pares, meus irmãos de luta, gente que vem pavimentando o caminho desta arte já ha muito tempo. Formando jovens e adultos que hoje fazem bonito na malha circense, teatral e televisiva do país. Talvez, um facho de esperança começa a surgir para a minha geração, muitos dos quais já nem fazem mais mímica por não terem conseguido vencer a solidão e falta de estímulo.
Meu caso foi diferente, desde que comecei a ser "demonizado" como artista de mímica, passei a me dedicar à literatura e fazer meus shows em eventos literários. Consegui inserção nos melhores teatros brasileiros mas sempre pelo viés da literatura, um paradoxo, já que o mímico, como é o meu caso, "quase não fala" no palco.
ESTOU MUITO FELIZ! Espero que o exemplo de Brasília seja seguido em todos os festivais brasileiros de mímica que surgirão daqui pra frente. Na minha opinião, um Festival de mímica deveria abarcar todas as formas de mímica. Do pantomimo ao ator de teatro gestual além da arte do ESTATUÍSMO, que é maravilhosa e popular. O Brasil, diferentemente da Europa, tem uma vocação aglutinadora e aqui, a experiência de misturar o mímico de rua e o mímico teatral pode dar muito certo, mas antes disso, precisamos fazer a lição de casa. Trabalhar por um território de expressão que nos permita respirar e conspirar juntos!

VEJAM QUE BELEZA DE PROGRAMAÇÃO


segunda-feira, 26 de março de 2012

Uma experiência inesquecível na cidade de Nova Friburgo!


Roteiros impecáveis, percepções aprofundadas e humanas foi o que marcou na oficina ministrada em Friburgo, a convite da Cia. Arteira de Teatro. Realmente uma experiência que deixou a marca de momentos que vão se eternizar na memória. Além de perceber pessoas muito talentosas e capacitadas para investigar intelectual e corporalmente a arte da mímica, pude conviver com um grupo de pessoas que levam o teatro a sério.


A Presença de artista admiráveis da cidade deram à oficina um tom profissional não sem o humor característico com que costumo conduzir este tipo de trabalho em grupo. Foi bonito ver gerações diferenciadas compartilhando o mesmo espaço de criação e percepção, por isso não posso deixar de cumprimentar os adolescentes que estiveram presentes na oficina e que além de se divertirem muito, demonstraram grande capacidade de absorção da linguagem da mímica teatral.
Cumprimento de horário, entrega aos exercícios “puxados” propostos durante o processo não intimidaram o grupo, que, a cada passo foi evoluindo e descobrindo novas possibilidades do uso de sua expressão corpo-gestual. A mímica agradece e a arte se engrandece.
O ponto alto deste grupo, na minha percepção, foi a capacidade de trabalhar coletivamente na criação de roteiros complexos para executar cenas de mímica. A decupagem dos gestos para chegar ao objetivo cênico se completava com desenhos que cobriam o espaço cênico com muito vigor, tanto físico como estético e, porque não dizer, ético, afinal, o trabalho coletivo é sempre um exercício de entrega e superação do ego.
Parabéns a este memorável grupo que esteve prestigiando e participando da mais uma de minhas oficinas de mímica.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

ESLIPA: Uma experiência com a Mímica


A Mímica e a Palhaçaria.

Que os palhaços sempre gostaram de mímica é um fato, tanto que números inteiros silenciosos e executados por alguns doa mais soberbos palhaços do Brasil e do mundo, utilizam a linguagem corporal no seu sentido mais extremo: A MÍMICA.
O treinamento mímico é um tesouro para a arte do palhaço e foi isso que pude sentir na minha aula inaugural ocorrida na lona do projeto Crescer e Viver, na praça Onze, pelo projeto realizado pelo grupo OFF SINA. É a primeira vez que dou aula direcionada cem por cento a pessoas dedicadas à arte da palhaçaria.
Podemos dizer, que a ESLIPA veio pra ficar. A nobre iniciativa do grupo OFF SINA permitiu um contato importante entre artistas circenses e de rua, colocando a mímica no olho do furacão!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Dezenas de milhares de pessoas já tiveram contato com a MÍMICA!


Desde que comecei a fazer mímica, em 1989 já havia uma demanda por oficinas e a  primeira que ministrei foi na antiga galeria do Cine Groff, em Curitiba. Eu e os alunos passávamos praticamente o dia inteiro na rua XV de Novembro, também conhecida como Rua das Flores, testando as técnicas e descobrindo elementos cênicos e forma de abordagem com o público de Rua. O que estávamos fazendo ali, na verdade, não era exatamente uma oficina, mas uma vivência coordenada por mim, pois a mímica, era uma prática muito recente e eu queria dividir aquilo com jovens que me procuravam devido à precariedade de informações sobre esta forma de expressão.
A partir desta primeira oficina, produzida pelo Maurício Cidade e Clodoaldo, dois agitadores culturais de Curitiba, na época, passei a considerar a possibilidade de criar minha própria pedagogia e De 1989 a 1991 percorri diversas cidades do Interior do Paraná e Santa Catarina, fazendo performances nas praças e logradouros. Ficava uma semana em cada cidade e quando ia para outra cidade já havia um grupo de pessoas me esperando para conhecer os rudimentos da arte da pantomima.
Em meados de 1992 viajei, convidado por Evil, para Bauru, cidade do interior de São Paulo, onde ministrei uma oficina que durou três meses durante finais de semana, sexta, sábado e domingo. Foi uma experiência cansativa e que valeu a pena. Nessa oficina criei o primeiro espetáculo de mímica envolvendo um grupo grande de alunos, o espetáculo foi batizado de “Expresso para Bauru”, uma referência ao trem do pantanal, que na época, saía desta cidade em direção ao Peru e Bolívia.
Primeira Oficina de 2012 no Teatro Municipal de Cabo Frio. Alunos
antenados e interessados em fazer teatro. Novas gerações surgindo!


Ainda em 1992 fui para extremo norte do país, na cidade de Macapá e onde fiquei durante dois meses, a convite do SESC, fazendo shows, dando oficinas e dirigindo espetáculos teatrais. Foi minha primeira experiência com um teatro de 2 balcões lotados e foi também o lugar onde trabalhei intensamente com um grupo de artistas da cidade até apresentar o resultado. O trabalho em Macapá foi tão intenso que retornei à cidade diversas vezes a convite do meu, então, produtor local, o poeta Herbert Emanuel.

A mais de 20 anos busco uma pedagogia própria para 
iniciantes que queiram conhecer a Mímica!
Continuei trabalhando em São Paulo e fui algumas vezes para Porto Alegre e descia a serra da graciosa em direção ao litoral paranaense retornando a Santa Catarina em cidades como Florianópolis, Joinvile e Camboriú Depois ia para o norte e oeste do Paraná. Fui a foz do Iguaçu várias vezes e neste período, fazia performances de mímica na rua passando o chapéu e ensinando, na rua mesmo, as técnicas que aprendi com meu mestre Everton Ferre.
Em Junho de 1992 decidi me instalar definitivamente no Rio de Janeiro para trabalhar na conferência glogal do Rio, A famosa ECO 92, onde passei o chapéu no Fórum Global e de lá pra cá ministrei oficinas de mímica em escolas, até me adaptar à vida cultural da cidade. Passei então a dar oficinas em comunidades, inclusive, nesta época estive na rua, a convite da minha amiga Marjorie Botelho, ministrando uma vivência rápida para as uma vivência com as crianças da candelária, que foram chacinadas em 1993. Trabalhei também nas cidades serranas e baixada fluminense, quando me dei conta, percebi que já havia ministrado oficinas de mímica para muita gente, centenas e talvez, milhares de pessoas.

Numa oficina de INICIAÇÃO À ARTE DA MÍMICA, muitos talentos
podem ser despertados!


Em Minas Gerais trabalhei estive em mais de 40 cidades sendo que, Itabira, a cidade do poeta Drummond fiquei durante 25 dias e retornei por mais 6 vezes, inclusive, recentemente, em 2011. A alegria que tenho em meu coração é saber que hoje, pessoas se dedicam ao teatro de mímica e afirmam generosamente que tudo começou nas minhas oficinas de iniciação. Alguns artistas se destacaram na mídia, outros se tornaram professores de teatro e especialistas em mímica com técnicas bem mais modernas e até artistas de circo com destaque internacional. De minha parte, não fiz mais que a obrigação. Levei, da forma como pude, o conhecimento desta arte ao maior número de pessoas que minhas forças permitiram.
Atualmente, na cidade de Cabo Frio, saio em turnês pelo Brasil sempre ministrando oficina e fazendo shows. Aqui mesmo, na cidade onde moro, ministrei algumas oficinas rápidas de iniciação à arte da mímica. Estou contente com o rumo que as coisas estão tomando. Aqui já tive o prazer de ver alguns jovens, se dedicando a algum tipo de teatro corporal dentro de linguagens mais contemporâneas, esteticamente falando! Tenho orgulho de ministrar as oficinas de “Iniciação à Arte da Mímica” e fico muito feliz quando encontro jovens, adultos e crianças dedicadas e determinadas a conhecer a arte que pratico, o teatro gestual, teatro físico e a arte da pantomima a mais de 20 anos.

AXÉ
Jiddu Saldanha

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Uma experiência com o grupo ETC E TAL.


Grupo de alunos, todos experientes artistas da cidade, mergulhados e
empenhados no aprendizado da técnica de mímica teatral.


O Grupo ETC E TAL tornou-se o mais importante grupo de mímica do Rio de Janeiro, desde a virada dos anos 90. Um trabalho de extrema habilidade do grupo, que conseguiu colocar a pantomima num patamar superior conseguindo enquadrar importantes projetos nesta área. Como o projeto “A Gestualidade do Humor”.

Na oficina com adolescentes, a descoberta de uma nova linguagem
que pode contribuir para o desempenho de todos.


Recentemente, um dos projetos do grupo foi de levar para artistas do interior do estado do Rio de Janeiro o conhecimento de técnicas e abordagens na área de mímica e humor. O projeto de Residência Artística cumpriu sua primeira etapa na cidade de Santo Antônio de Pádua – RJ, envolvendo adolescentes e jovens na identificação, conhecimento e prática da arte da pantomima.
Tive a honra de ser escolhido para ser professor do projeto, ministrando aulas de mímica e pantomima com proposta de resultado gravado em vídeo e também para um público selecionado pelos próprios alunos para assistir à apresentação. Foi uma experiência positiva e com grande troca de aprendizado.

Em Volta Redonda / RJ - O Projeto "A Gestualidade do Humor" ganha novos adeptos.


De 28.11 a 02.12.2011, a oficina em Volta Reodonda/RJ atraiu jovens e
adultos de diversos grupos e tendências da cidade.




As oficinas do projeto de Residência do grupo Etc. e Tal. aconteceu de forma inusitada na cidade de Volta Redonda com uma presença heterogênea de alunos que vieram de diversos grupos de teatro, destacando-se o grupo "As Bastianas" que se empenhou e contribuiu para que se proporcionasse um resultado que estabelecesse a pantomima como uma forma de linguagem cooperativa no processo de cada grupo presente.
Numa avaliação mais direte, podemos dizer que o projeto de residência artística do grupo Etc. e Tal. atingiu seu objetivo e, mais do que isso, estimulou uma nova geração de jovens que precisavam de alguma forma, ter um contato diferenciado com o teatro ultratual e contemporâneo.
Parabéns para a cultura do Estado do Rio de Janeiro, por dar à mímica o espaço que merece!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O Retorno da Inocência.


Elisa e Guilherme na cena "O Circo"!
A pantomima é uma Fênix, já dizia Marcel Marceau e ela renasce, sempre, a partir de suas cinzas. A ave lendária é uma grande metáfora da arte e fornece subjetividade para reflexões profundas.  No 9º Festival de Esquetes de Cabo Frio (Fesq), uma cena teatral chamou a atenção pela simplicidade e gerou comentários generosos da platéia.
Em cena, um palhaço e uma mímica. Os atores Elisa e Guilherme, ambos, praticamente adolescentes, arrebataram o coração do público com uma narrativa simples e silenciosa retratando na cena “O Circo” um momento singelo. Foi um toque mágico no meio da noite veloz e conceitual do festival.
Os estilos e as linguagens existem para realçar questões estéticas, inquietações filosóficas por vias que variam de linguagem. O uso da pantomima numa cena teatral pode cair bem se ela vier com sua dramaturgia e características definidas e foi assim que pudemos notar o trabalho desses dois jovens artistas em cena.
Bom para o teatro, que recupera uma forma de expressão, bom para o público que vai fundo no seu silencio interior, bom para os artistas, que investigam uma linguagem tão complexas como um haicai. A pantomima, embora não pareça, para muita gente, é uma das mais difíceis formas de teatro e é tão antiga quanto o próprio homem, buscá-la como meio de expressão é um grande gesto de ousadia.
Parabéns aos artistas Elisa e Guilherme que construíram uma cena que conseguiu, por alguns minutos, levar o público para os labirintos de si mesmos e despertar a fênix interior.

(Jiddu Saldanha)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O Teatro Físico e a Mímica no Fesq - 2011


A Cia. Duplos, de Belo Horizonte e o teatro físico.

No 9º Festival de esquetes de Cabo Frio, (Fesq)  um trabalho focado no teatro físico chamou a atenção do público. Cenas como esta já era apresentada pelo grupo local “Os Intrusos”  com uma pesquisa voltada para o Clown, utilizando riquíssimos recursos da palhaçaria teatral, já a Cia Duplos, trouxe uma linguagem toda focada na partitura corporal oriunda das escolas européias de mímica teatral e/ou teatro físico. O trabalho mostrou atores habilidosos, treinados dentro de uma concepção de teatro de vanguarda onde o resultado é divertido, embora descritivo.

O grupo escolheu como tema central um quadro do Pateta, animação da Disney, provavelmente de 1950, que dá título ao esquete. “Acontecia em 1950”.
Adaptado de forma inteligente, mas com o arcabouço dramatúrgico bem similar ao filme da Disney. 
Em cena, os atores executaram de forma divertida e com nuances sutis a linguagem mimo-teatral de forma bem inteligente, com ritmo de desenho animado e gostoso de se ver. Sem dúvida um trabalho com efeito cômico que produziu resultado imediato levando a platéia ao encantamento imediato.
Mas uma das reflexões que quero fazer aqui é a escolha do tema e o propósito do elenco e da direção, ao executar algo inspirado em PATETA. Obviamente, que, de forma bem humorada o tema cai bem nos dias de hoje, principalmente no Brasil, onde o trânsito mata mais do que na guerra do Iraque, Afeganistão e Líbia, juntos.
A abordagem cômica e ilustrativa, recheada de humor e perfeccionismo coloca o problema sem discuti-lo. Uma dificuldade, talvez, deste tipo de teatro que surgiu, principalmente, muito mais como técnica para o ator do que propriamente para uma ação dramatúrgica mais contundente. Ainda falta, no teatro físico, um trabalho dramatúrgico mais aprofundado e mergulhado na realidade universal brasileira. Cada novo grupo que surge nesta área, acaba repetindo um padrão de composição muito adotado na Europa, principalmente pelos grupos espanhóis e ingleses.
Mas ainda que ausente de uma dramaturgia mais aprofundada o grupo Cia. Duplos tem o principal: Formação coletiva, nível técnico, empatia e Capacidade. Falta apenas, talvez, uma pesquisa mais aprofundada para construir trabalhos mais originais. Vamos esperar o próximo trabalho deste promissor grupo de atores mímicos, ou Teatro Físico, como queiram ser chamados.